TEMPESTADE À VISTA
Me disseram certa vez que, em chinês, a palavra "crise" tem a mesma grafia de "oportunidade". Não sei se é verdade, mas o clima econômico mundial aponta para a ocorrência de furacões e terremotos em grande escala.
Enormes oportunidades de ganho surgiram com a abertura da China para a economia de mercado. O impacto é tão grande, no entanto, que fica difícil calcular as consequências, até mesmo a curto prazo. O crescimento de 10% ao ano numa nação de quase 1,5 bilhão de habitantes equivale a um verdadeiro tsunami econômico.
Hoje, houve expressiva queda nas bolsas asiáticas, e o mercado se assusta com medo de que haja "estouro" na bolha de crescimento do preço das ações na China. Os EUA, com suas taxas de desemprego, tentam imaginar o poder que terão os democratas em consertar o enorme estrago dos 8 anos Bush.
O preço do petróleo sobe descontroladamente, abrindo espaço para o Brasil e sua tecnologia de exploração em águas profundas, ao mesmo tempo em que escancara para o mundo o nosso imenso potencial de produção de biocombustíveis. A Amazônia vai sendo mais e mais cobiçada por países estrangeiros. Politicamente, ainda não somos suficientemente fortes e respeitados para evitar interferências em nossa soberania.
A Europa, em relativa estabilidade, já declara sua dependência de importação de álcool, e de mão de obra, para suprir as vagas deixadas pelos seus "velhinhos", e pela falta de jovens em sua população.
A globalização, cujos ventos até agora foram de fraca e média intensidade, começa a girar num redemoinho mais rápido, anunciando a formação de um furacão. A devastação e as oportunidades que essa grande tempestade que se avizinha trarão, nem os melhores meteorologistas econômicos podem prever.
Escrito por Zé às 12h51
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