A Triste sina de um “sem-minoria”

Marquinhos tem 8 anos, e mora numa favela em Curitiba. Na sua inocência de criança, não sabe das dificuldades que terá na vida. Marquinhos não sabe, mas ele é um “sem-minoria”.

Explicando melhor: ele é pobre (o que é absoluta maioria no Brasil), mas é descendente de poloneses, branco como a neve. Ele terá que ser muito melhor do que seus colegas, porque não tem nenhuma chance de se qualificar para alguma cota especial racista. Acontece que ele não tem uma inteligência especial, ele está absolutamente na média.

Ele também não é amigo de ninguém no MST, então não terá terra grátis para vender depois e torrar em cachaça. Seus pais trabalham, e pagam aluguel, são honestos e nunca invadiram um terreno, então ele nunca terá um imóvel dado de mão-beijada pelo poder público. Como seus pais não serão presos, ele não receberá o auxílio-reclusão.

Ele ainda não sabe muito bem, mas ele é hétero. Não terá a simpatia de ninguém pela sua opção sexual. Será um simples homem, sem afetação e exibicionismo, e não terá mídia que se interesse por ele.

Ele tem bom coração, e não terá coragem de participar de grupos skinhead, punk, nem será pichador. Será então considerado um pária pelos seus colegas mais próximos. Ele não é especialmente bonito, nem tem um grande talento artístico. Será trabalhador, mas não terá a capacidade de prejudicar ninguém para subir na carreira.

Não terá o apadrinhamento de um traficante, não será amante de um político, nem irá se aposentar de forma fraudulenta. Terá que trabalhar até morrer.

Ele não é anão, nem gigante. Marquinhos teve a triste sina de ser da maioria.



Escrito por Zé às 08h47
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FOTOSHOP DO DIA - "JACKIE RORIZ"

AOS ELEITORES: VOCÊS QUERIAM ESTA...

JAQPHOTOSHOP

MAS ELEGERAM ESTA:

JAQREALJAQREALJAQREAL

QUANDO É QUE VOCÊS VÃO APRENDER A VOTAR?????



Escrito por Zé às 20h52
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Voltamos...assunto é o que não falta, né?

Pois é, fica difícil não blogar no Brasil, até porque não há muita opção para uma opinião sincera dando sopa por aí.

Que maravilha, por exemplo, a absolvição de Jaqueline Roriz! Que senso de justiça e sensibilidade! Afinal, quando ela recebeu propina ela ainda não era deputada...aliás, segundo ela mesma, o dinheiro foi justamente usado para que ela se elegesse.

Então vejamos: receber uma grana de origem ilegal é lícito politicamente, desde que se aplique o dinheiro na campanha. Acho que abrimos um precedente para que outros vagabundos se elejam com o produto do crime, e, agora, oficialmente. Mas o que irrita mesmo não é isto.

O que irrita de verdade é a completa falta de noção de uma pessoa de inteligência limítrofe como ela, que, sinceramente, se acha correta e vítima de perseguição política. É de arrancar os cabelos ouví-la dizer que chorou e comemorou com a família (ou quadrilha) a absolvição, como se a justiça se tivesse feito. É passível de calmantes vê-la como substituta de um outro ladrão comprovado, ocupando o lugar de um brasileiro decente.

O que irrita, mesmo, é ter que se acostumar a ver jaquelines roriz como ela prosperando, por quê não se sabe, mas por cima de quem não se tem dúvida. Neste momento, leitor, ela está com o salto imundo do seu sapato tripudiando em cima da sua cabeça.



Escrito por Zé às 19h58
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Previsões - 2010 a 2014

Dilma Rousseff é a nossa próxima presidente. Lula, com a sua popularidade, poderia eleger uma boneca inflável.

Daqui a 4 anos, ela não disputará a reeleição, alegando problemas pessoais ou de saúde. Lula volta, eleito no primeiro turno em Outubro de 2014, com o Brasil hexacampeão cheio de ufanismo. Fica mais oito anos, e depois, quem sabe? Longe demais para prever.

Tiririca se elege com pouco mais, pouco menos, de um milhão de votos.

Alckmin assume o Governo de SP, e, uma vez eleito, apaga do rosto aquele sorriso de quem está com coceira na bunda e não pode coçar. Faz mais oito anos de governo "picolé-de-chuchu", e os paulistas aplaudem, preferindo que o estado fique de mal a pior, mas sem PT no governo.

O Brasil cresce. A reforma tributária sai, mas os impostos aumentam. Após meses de discussão e acusações de superfaturamento, a Copa finalmente se realiza, com vitória do Brasil na final com o Uruguai, no Maracanã, por 2x1. Finalmente, a revanche redentora do "Maracanazo" de 1950. Pelé chora, Maradona ironiza, o povo se embriaga. As Olimpíadas também saem, depois de escândalos diversos e improvisação em algumas obras. O Brasil conquista 6 ouros, 8 pratas e 4 Bronzes. A Globo homenageia um atleta pobre que, pelo seu esforço, conquistou classificação para uma semi-final, eliminado por décimos de segundo.

Tiririca aprende a ler e escrever e se elege de fato em 2014. O Brasileiro, entretanto, continua sem saber votar.



Escrito por Zé às 09h49
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MENOS, LULA, MENOS...

Lula é inteligente e carismático. Mas descobriu hoje que não é Bill Clinton, e que o Brasil não é o líder do mundo.

Intrometemo-nos no assunto do Irã, com a tradicional ingenuidade e falta de posição firme da nossa diplomacia. Conseguimos um acordo que, evidentemente, ninguém está a fim de cumprir e os países realmente influentes vetaram sem maiores explicações.

Não julgo aqui a validade de impor ou não sanções ao Irã. Avalio a falta de noção dos brasileiros neste caso, tentando uma manobra eleitoreira através de um marketing internacional que o Brasil ainda não tem condições de fazer.

Sequer assumimos nossa posição (legítima) de líderes na América do Sul, aceitando imposições absurdas de Bolívia e Venezuela, e queremos agora ser os pacificadores do planeta. Expor o Páis ao ridículo dessa forma deveria ser motivo de alguma penalidade. Uma multa a ser paga a cada brasileiro mal representado por uma diplomacia historicamente fraca em suas posições e que adota atitudes casuístas e demagógicas.

Lula, veja se sai de fininho dessa questão, vá passar uns dias em Dubai com o Celso Amorim, e volte para casa. Tem muita coisa aqui para resolver.



Escrito por Zé às 09h40
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Nas mãos de Deus

Nas aflições da vida, procuramos avidamente por respostas e soluções e, muitas vezes, não as encontramos de pronto.

No fundo, sabemos que tudo tende para o bem, e que nada existe sem um propósito no Universo. Mas teimamos em querer controlar tudo, fundados em medos injustificáveis e perspectivas egóistas.

Combater esta natureza não quer dizer ficarmos em estado contemplativo, ao contrário. Temos que trabalhar diariamente para o nosso aprimoramento, isso é o que está ao nosso alcance fazer. E o tempo deve ser aproveitado como uma dádiva, sem desperdício com aflições e angústias.

O melhor, portanto, é fazermos bem a nossa parte, e colocarmos o que não podemos ver nas mãos de Deus. Tomando ou não esta atitude, tenhamos a certeza de que, de qualquer maneira, está mesmo nas mãos D´Ele.



Escrito por Zé às 11h24
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Rumos do Brasil

Ouvi ontem um trecho da fala do presidente Lula em que ele dizia que, quem quer que seja o futuro governante, em nada isto influirá na trajetória de crescimento econômico e nas principais diretrizes administrativas. Dizia ainda que não deve se repetir o "terrorismo" de eleições passadas em relação à candidatura de quem quer que seja.

Pois que seja assim. Este governo, de certa forma, também seguiu a maioria das diretrizes do anterior, o que mostra uma certa responsabilidade política. Alguns males crônicos da nossa política ainda continuarão assolando o País, mas é possível que mesmo estes comecem a ser menos frequentes.

A fala é importante também para a idéia que se faz do Brasil no exterior. Evita, ou diminui bastante, especulações que poderiam causar flutuações indevidas no câmbio e nas bolsas de valores.

De certa forma, acenar com a estabilidade é uma providência positiva. A maturidade política, no Brasil, pode ainda estar longe, mas, seguindo este caminho, estará cada vez mais próxima.



Escrito por Zé às 13h31
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Superstição

As pessoas cultivam, em maior ou menor grau, superstições aprendidas com a convivência.

O comportamento supersticioso pode ser desenvolvido em animais, o que indica talvez com mais veemência sobre a irracionalidade dos mesmos. São verdadeiros ataques às leis naturais, principalmente à Lei de Causa e Efeito. São também uma forma de atribuir ao mundo exterior a responsabilidade sobre fatos que só dizem respeito a nós mesmos, portadores que somos do nosso livre-arbítrio.

São muitas vezes coisas simples, como não colocar bolsas ou pastas de trabalho no chão, ou não passar debaixo de uma escada. Outras vezes, são mistificações que se colocam em oposição a uma fé verdadeira. Muitas vezes, porém, têm origem na vontade de crer, de se apegar a algo que dê uma segurança além do mundo puramente material. E o antídoto para a superstição é justamente a fé.

O conhecimento das leis naturais e do sentido real das coisas nos levará a uma fé tranquila e verdadeira, aniquilando as superstições.

 



Escrito por Zé às 09h26
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Males do imediatismo

Discute-se muito em nossos tempos a questão ecológica, as mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global e os danos ao planeta causados pelos excessos humanos.

Há dois grupos que se opõem, cada qual com posições radicais a respeito. Os ecologistas trabalham no sentido de reduzir as agressões ao meio ambiente, enquanto diversos grupos mais focados nas questões de desenvolvimento econômico tratam de minimizar os efeitos de suas emissões, repudiando as políticas ambientais.

A meu ver, falta nessa discussão o fundamental: o equilíbrio.

Os recursos naturais podem ser utlizados de forma legítima, em benefício da humanidade, sem que seja preciso com isto causar a destruição. O grande mal, aí, é o imediatismo, o egoísmo humano de querer concentrar lucros em curtos períodos, sacando antecipadamente valores que pertenceriam às gerações seguintes.

O uso sustentável dos recursos possibilitaria meios racionais de garantir o conforto das pessoas, sem os exageros da nossa atual civilização. Não seria necessário discutir teorias preservacionistas radicais, ou privar a humanidade das dádivas que a natureza proporciona. Não sendo possível modificar as coisas de uma hora para outra, deveriam ser discutidas estratégias que garantissem as duas coisas, preservação e desenvolvimento, numa perspectiva atual e futura.

Infelizmente, os interesses de parte a parte muitas vezes deixam de lado o bom-senso.



Escrito por Zé às 18h04
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Auto-conhecimento

Temos de nós mesmos, muitas vezes, uma imagem idealizada. Somos pródigos em classificar e julgar os outros, e condescendentes conosco em relação ao que ainda precisamos melhorar.

Dessa forma, nos julgamos "bonzinhos", e vemos nos outros uma maldade que não reconhecemos em nós mesmos.

O problema dessa atitude é que, sem reconhecermos os pontos em que devemos evoluir, não trabalhamos positivamente neste sentido. Isto tem muito a ver com a pouca capacidade que temos de auto-critica, e com uma certa preguiça de nos esforçarmos para melhorar.

Reconhecer nossas faltas não significa nos culparmos, nem necessariamente sofrer com isso. Na verdade, é o caminho mais próximo para perdoarmos a nós mesmos. E, ao nos perdoarmos, muito mais facilmente perdoaremos aos outros, porque neles também reconheceremos o quanto pode ser difícil mudar hábitos antigos.

O processo de auto-conhecimento pode ser um pouco trabalhoso, mas nos tornará mais plenos e conscientes, tanto dos nossos defeitos, quanto das nossas qualidades. O perdão mútuo nos alinhará com o bem e permitirá aprimorarmos  nossa vida.



Escrito por Zé às 13h24
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Humildade e Auto-estima

Dentre as nossas possibilidades de melhoria, podemos trabalhar a questão da humildade. E podemos começar tendo a humildade de reconhecer o quanto ainda somos orgulhosos e arrogantes.

Se você nunca se achou assim, ao contrário, pense de novo.

Ser humilde está longe de simplesmente agir sem se supervalorizar, ou procurar diminuir suas qualidades ao ser elogiado. Isso é fácil, é apenas questão de treino. Ser realmente humilde é reconhecer o quanto ainda podemos aprender e o quão pouco sabemos.

Reconhecer nossas reais qualidades e talentos também faz parte do equilíbrio no sentido de sermos humildes. Utilizá-los a favor do bem é melhor ainda, tomando sempre o cuidado de não nos deixar levar pela vaidade.

A pessoa que fala muito de si mesma, mesmo que seja para se auto-criticar, não é realmente humilde. E os que se engrandecem perante os outros têm , na verdade, uma baixa auto-estima. Precisam da aprovação alheia para se sentirem aceitos e melhorarem sua auto-imagem.

Ao invés de exaltarmos nossas pretensas qualidades para os outros, melhor será reconhecermos o quanto avançamos em nosso processo evolutivo, aprovando a nós mesmos e aumentando nossa auto-estima, e conhecermos os aspectos onde devemos melhorar, trabalhando silenciosamente e perseverando em nosso aprimoramento.



Escrito por Zé às 09h11
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Preconceito

Dentre os males que nos afligem indivudual e coletivamente, um dos mais danosos é o preconceito.

Deixe-me tentar adivinhar o que você pensou ao ler esta palavra: foi algo relativo a raça, povos, times de futebol, "tribos" que não são a sua, certo? Pois você foi na origem desse mal, mas os desdobramentos não ficam só nisso.

A humanidade aprendeu, em tempos passados, a rejeitar sem pensar o que é diferente. É um mecanismo de defesa que remonta aos povos selvagens e que, possivelmente, tinham razões para este sentimento. Ao longo dos séculos, essa tendência foi explorada pelos governantes, no sentido de garantir o poder. É a máxima do "dividir para governar": a desunião favorece o controle, enfraquece a vontade do povo, subjuga aqueles que se submetem à idéia de preconceito.

Assim, fomos criando o hábito de colocar rótulos bons ou maus em pessoas, grupos e coisas, sem que esta idéia passe pelo crivo do nosso discernimento. Os males dessa atitude vão muito além, hoje, daquilo que a própria lei hoje consagra como preconceito. O hábito de agir preconceituosamente nos reduz a coragem, nos torna supersticiosos e defensivos, embota nosso raciocínio e diminui nossas oportunidades de crescimento.

A palavra em sí define a inferioridade da atitude. Pré-conceber representa agir quase que por instinto, contrariando a evolução da espécie humana em direção a uma racionalidade saudável e uma emotividade serena. Quando agimos com preconceito, só podemos nos ferir ou ferir aos outros. É uma atitude que, ao contrário de nos defender, nos ofende, nos reduz a seres primitivos.

É importante reconhecer que todos nós ainda trazemos, em maior ou menor grau, esta imperfeição, para então podermos observá-la e combatê-la. O passo seguinte será não julgar o outro, mesmo quando já formamos dele um "pós-conceito".



Escrito por Zé às 09h33
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Curando Feridas

 

A maioria de nós tem cicatrizes da vida. São de diferentes tamanhos e formas, a maior parte delas se localiza no coração.

Quase sempre, atribuímos os ferimentos a atitudes de outras pessoas, a fatos sobre os quais julgamos não ter tido influência. É difícil para nós admitir uma verdade: as cicatrizes mais profundas e até mesmo as feridas abertas foram, em sua maioria, causadas por nós mesmos.

São rancores, ressentimentos, atitudes de orgulho e cólera, frutos da nossa natureza egoísta. Esquecemos que, para ferir a alguém, precisamos primeiro ferir a nós mesmos. Não é possível emanarmos um mau sentimento impunemente. O que destilamos para o exterior não é facilmente drenado pela nossa consciência, naturalmente voltada ao bem, e nos envenena, quando a natureza do sentimento não é boa.

Os antídotos, no entanto, estão também à nossa dispósição. O maior deles é o perdão, aos outros e a nós mesmos. As atitudes positivas, o sorriso, o amor que compartilhamos são ingredientes fundamentais para uma cicatrização completa.

Todos reconhecemos a dificuldade de agir assim, cercados que somos por notícias de violência, corrupção, desastres. Sabemos ser muito difícil ser ofendido e não revidar. Não nos esqueçamos, no entanto, que o revide é a aceitação do mau "presente" que o agressor quer nos conceder.

Já tive reações de revide, e posso afirmar com toda a certeza de que a sensação que temos ao não nos vingarmos ou ficarmos ressentidos é muito melhor do que a que passamos após uma discussão acalorada, ou uma briga.

Os meios de cura estão à disposição de todos. Na verdade, são de uso mais simples do que as armas do egoísmo, que nos ferem há tantos anos.



Escrito por Zé às 13h58
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Meu avô José

Quando nasci, ele tinha só 44 anos, um a menos do que eu tinha quando nasceu minha filha mais nova.

Natural, portanto, que ele tivesse dentro de sí a emoção de um pai, ainda mais porque ele sempre quis um filho, e teve duas meninas. Minha mãe conta que o viu num dos momentos de maior felicidade da sua vida, ele que era de uma felicidade contida, nem sempre aparente, às vezes melancólica.

Vaidoso, boa-pinta, jovem na aparência até o final, ele fez, em boa medida este papel de pai. E o fez como todos os pais fazem: com erros e acertos, depositando esperanças demais, fazendo planos mirabolantes para a minha carreira militar ou no futebol, se orgulhando de que eu fosse namorador, me ajudando quando eu precisava.

Me passou também um pouco da sua dramaticidade, me assustando quando, do nada, dizia: "quero morrer". Era uma forma de chamar à atenção para algum estado temporário de angústia, alguma coisa  que o incomodava, talvez do dia-a-dia rotineiro de um casamento das antigas.

Como todo pai, ralhou comigo quando usei seu barbeador para raspar a cabeça das bonecas da minha prima, ou quando arrebentei seu guarda-chuva italiano numa tempestade. Orgulhava-se das minhas conquistas, frustrava-se se eu não me interessava pela carreira militar ou porque eu não tinha altura suficiente para ser goleiro profissional. Era até engraçado, dizem que quendo eu era pequeno ele me puxava pela cabeça, esticando o pescoço,  e dizia: "- cresce!".

Assistíamos filmes de terror nas noites de sexta, já que ele não precisava acordar tão cedo. Eu quase sempre dormia, e ele ficava bravo, me levava meio sonado pra dormir. Aos domingos, a gente saia para comer fora, quase sempre no mesmo restaurante. Na volta, assistíamos o programa do Silvio Santos. Era assim até uns 11 ou 12 anos.

Na adolescência, ficava muito na casa dele porque me sentia mais livre, até mais em casa, já que, desde pequeno, minha mãe me deixava lá pra ir trabalhar. Mas não parava mais tanto em casa; fui saindo mais para ver meus amigos, vieram os bailinhos, alguns deles lá mesmo, e, aos 17 anos, minha avó faleceu.

Ele se mudou para a minha casa, eu manobrava o carro dele toda noite, um dia saí para uma volta no quarteirão e batí. Ele ficou brabo, mas, como sempre, me perdoou.

Casou-se de novo, mudou-se, eu me casei cedo, mais tarde mudei-me para o Paraná, e a gente foi ficando mais longe.

Ele adoeceu e se foi quando eu tinha 29 anos. Sentí-me órfão pela primeira vez, e muito triste pelo que não pudemos desfrutar juntos no tempo em que me afastei. E, pela primeira vez na vida, percebí que o tempo segue, independente das nossas escolhas.



Escrito por Zé às 10h22
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LULA E O CHEIRO DO RALO

Num discurso, ontem durante uma reunião em que o tema era Saneamento Básico, Lula falou merda.

Desculpem, eu deveria ter escrito : Lula falou - "...merda".

A metáfora óbvia, em que ele fala que o importante era "tirar os brasileiros da merda", reacendeu o folclore sobre um presidente de resultados: Lula age como o Muricy, que quando está por cima, descarrega o que quer nos ouvintes. E ele, com a popularidade em alta, vai se soltando.

Sabe, até que eu não vejo mal nenhum em proferir o termo escatologicamente incorreto. Aliás, no teatro, quando desejamos sorte a alguém, falamos:-"merda pra você". Sempre achei que as palavras deveriam trocar de lugar: merda vai pra lingua culta, fezes vira palavrão. Afinal, "fezes" é muito mais feio, né? 

Linguística à parte, também acho que o governo deve ter como prioridade tirar o povo da merda. Afinal, foram os sucessivos governos que o colocaram lá, no esgoto a céu aberto da falta de educação, de saúde, de dignidade. Também não dá pra cantar vitória ainda, caro presidente. Tudo ainda está muito bonito no discurso, as enchentes em SP não te deixam mentir.



Escrito por Zé às 09h47
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, English


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